quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Peço penico

Desisto do homem, do calor humano, da troca de conhecimento. Desisto do descobrimento, dos barman's e do samba. Desisto do vento, do alimento, do choro. Desisto da intelectualidade, do mundo virtual, da física. Desisto da moda, do marketing, de toda propaganda. Desisto do papel, das letras, do gráfico. Desisto da verdade, da falsidade, da invenção. Desisto do desconhecido, do conhecido, do imaginário. Desisto da cor, da pele, do toque. Desisto da troca de olhares, do nó na garganta, do diálogo. Desisto da tentativa, da perspectiva, de toda meta imposta. Desisto das putas, dos vagabundos, dos bitolados. Desisto dos salvos, dos não-salvos, dos perdidos. Desisto do calor, da água, do fogo. Desisto da mídia, da política e de toda boa-ação. Desisto dos piercings, das tintas, da tesoura. Desisto do mar, das estrelas, do sol. Desisto da luz, do sabor, do encosto. Desisto do frio, do quente, do congelado, do tostado. Desisto do branco, do preto, do invisível, do transparente. Desisto da imaginação, do criativo, da saída. Desisto do amor, da raiva e de qualquer outro sentimento.
Desisto de mim. Que já perdeu o rumo a muito tempo e só finge que ainda tem algum. Que queria ser a solução, mas acaba sendo problema. Que tenta acertar, mas que vive errando mais do que devia.
Desisto do começo, desisto do fim, desisto de você, desisto de mim da rima.

7 comentários:

  1. Depois dessa eu desisto de escrever. Otimo texto Gabi e não é modestia minha não.

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  2. Depois dessa eu desisto de escrever +1

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  3. Adorei o texto Gabriela, e de certa forma, me identifiquei com sua forma de escrever.

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  4. Seu blog é bastante conhecido, não foi difícil encontrá-lo. E obrigada, também, pelo comentário. Apareça sempre.

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